INFLUÊNCIA DO PROTOCOLO BÁSICO DE QUIROPRAXIA SOBRE A FLEXIBILIDADE LOMBAR EM CAMINHONEIROS COM LOMBALGIA

Rita de Cássia do Rocio Regiani Zatta*; Fabiano Egidio Novacki **.

*Fisioterapeuta – ** Fisioterapeuta, docente do curso de Pós graduação da Inspirar Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Saúde (Curitiba – PR).

*Endereço para Correspondência: Rua dos Jasmins, 987 – Afonso Pena – CEP. 83.050-290 – São José dos Pinhais – PR – E-mail- rcassia2@yahoo.com.

Resumo

A lombalgia é um mal que atinge milhares de pessoas, tornando-se responsável por limitações das atividades funcionais e comprometimento da qualidade de vida.

O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do protocolo básico de Quiropraxia sobre a flexibilidade lombar em caminhoneiros com lombalgia. Foram selecionados 20 pacientes, com idade média de 42,05 ± 10,49 anos. Ao inicio e ao término do tratamento foi utilizado o teste de Schober. Através do resultado obtido verificou-se uma média inicial de 25,83 ± 9,36 e após as sessões uma média de 10,05 ± 7,87; com p=<0,001. No presente estudo, verificou-se a eficácia do protocolo básico de quiropraxia na flexibilidade lombar.

Palavras-chaves: Tratamento, Lombalgia,Quiroprática.

Introdução

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Quiropraxia é uma profissão da saúde que lida com o diagnostico, tratamento e a prevenção das desordens do sistema neuro-músculo-esquelético e dos efeitos destas desordens na saúde em geral. Há uma ênfase em técnicas manuais, incluindo o ajuste e/ou a manipulação articular, com um enfoque particular nas subluxações.

A Quiropraxia baseia-se no fato de que através da coluna vertebral pode onde passa a medula óssea, existem inúmeros feixes nervosos que se ramificam a partir de suas respectivas raízes nervosas, os quais se direcionam a diferentes órgãos e tecidos do corpo humano, proporcionando uma comunicação do fluxo de informações entre as áreas envolvidas. (Neto, L.M.).

A prevalênciadalombalgianoscaminhoneiros está associada ao número de horas de trabalho. Outros fatores também contribuem para uma postura errada, como permanecer sentado por tempo prolongado, expor-se à vibração, inclinações e rotações excessivas do tronco, carregar objetos pesados e manter a concentração que a atividade exige, sem intervalos adequados de relaxamento Weiner et al.(2004).

É estimado que cerca de 80 por cento da população irá manifestar dores na coluna lombar, em qualquer altura da sua vida Walker, (2000). Infelizmente, ao longo do decurso da nossa existência mais cedo ou mais tarde a coluna degenera-se, aparecendo os primeiros sinais de degeneração dos discos intervertebrais, artrite, artrose. Havendo a necessidade de reforçar toda a musculatura do tronco, de forma a manter a estabilidade da referida zona corporal. É nesta linha ideológica que, a Quiropraxia se apresenta como uma das medidas para se manter a prevenção, estabilidade evitando a ocorrência de patologias na coluna vertebral.

Para Mata et al. (2006). A carência de flexibilidade, principalmente na região do tronco quadril, está associada como sendo o maior risco para surgimento de dores lombares, onde 80% das lombalgias são causadas pelos níveis de flexibilidade articular reduzidos.

Segundo Tribastone, (2001), a postura é o resultado de um conjunto de reflexos sensoriomotores integrados aos diversos níveis do sistema nervoso central, com uma regulação automática extremamente heterogenia também relacionada com mecanismos psicológicos que regulam com a máxima economia cada movimento.

É nesta linha ideológica que, a Quiropraxia se apresenta como uma das medidas para se manter a prevenção, estabilidade evitando a ocorrência de patologias na coluna vertebral.

Materiais e Métodos:

Este estudo caracterizou-se por um ensaio clinico não controlado, quantitativo, prospectivo com delineamento longitudinal. A amostra foi composta por vinte pacientes adultos do sexo masculino, com idade média 42,55 ± 10,49 anos, que apresentavam quadro álgico lombar relacionado ao trabalho, foram excluídos pacientes pós-operatórios.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de ética e Pesquisa Inspirar Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Saúde – Inspirar, e todos os pacientes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido antes de serem incluídos na pesquisa.

Os resultados foram avaliados através do programa estatístico teste t de Student.

O estudo foi realizado em uma empresa de reciclagem na cidade de São José dos Pinhais-PR.

Os procedimentos metodológicos incluíram três etapas de abordagem dos componentes da amostra: (1) Aplicação do teste de Schober ; (2) Aplicação do protocolo básico; (3) Reaplicação do teste Schober.

– Teste de Schober
A flexibilidade lombar foi mensurada através do teste de Schober, no qual o terapeuta, com uma fita métrica, realizou a mensuração da distância entre a transição lombossacra e um ponto localizado 10 centímetros acima desta região, com a paciente em posição ortostática e posteriormente em flexão anterior máxima. O teste considera um resultado normal quando uma variação de cinco ou mais centímetros entre as medidas nas duas posições solicitadas ocorre.

2.0 – Aplicação da técnica

O método foi aplicado durante dois meses, com freqüência de duas vezes por semana, e duração aproximadamente de trinta minutos, totalizando dez sessões.

Para a realização deste estudo foi aplicado o protocolo básico que será descrito a seguir:

Medição em pé: paciente se coloca com os pés levemente afastados, braços soltos e relaxados ao lado do corpo, terapeuta se posiciona a frente, faz uma leve flexão de ombro passiva observa o comprimento tendo como base o dedo médio.

Medição com o paciente em prono: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito ventral, onde o terapeuta observa o comprimento das pernas, tendo como base os maléolos mediais.

Alívio de tensão de ligamentos dos tornozelos: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito ventral, braços ao lado do corpo. O terapeuta se coloca ao lado da maca flexiona o joelho do cliente a mais ou menos 90º, faz uma plante flexão, até uma tensão máxima e faz o ajuste para a mesma direção. A manobra se repete da mesma forma em dorse, rotação lateral e rotação medial. Estas manobras são feitas bilateralmente.

Alívio de tensão dos joelhos: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito ventral, braços ao lado do corpo. O terapeuta se coloca ao lado da maca, faz uma flexão total de joelho do cliente, e com a outra mão localiza a fossa poplítea, mantendo a flexão máxima exerce uma tensão crânio-caudal, a qual faz também o ajuste no mesmo sentido.

Eliminação da báscula: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito ventral, braços ao lado do corpo. O terapeuta localiza o trocanter maior, com uma das mãos faz a flexão de joelhos a mais ou menos 110º, com a outra mão exerce uma tensão sobre o trocanter maior e faz o ajuste.

Pressão de alívio sacral: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito ventral, braços ao lado do corpo. O terapeuta localiza o sacro do paciente, coloca uma mão sobre a outra em cima do sacro, e exerce três pressões perpendiculares iniciadas e terminadas na fase expiratória.

Pressão de alívio ilíaco: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito ventral, braços ao lado do corpo. O terapeuta localiza as mãos lateralmente as articulações sacro-ilíacas do paciente, e exerce três pressões perpendiculares iniciadas e terminadas na fase expiratória.

Pressão de alívio lombar: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito ventral, braços ao lado do corpo. O terapeuta localiza as mãos dispostas uma sobre a outra no segmento lombar do paciente, e exerce três pressões perpendiculares iniciadas e terminadas na fase expiratória.

Ajustes torácicos inespecíficos: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito ventral, braços ao lado do corpo. O terapeuta localiza a região torácica a partir de T12, e com as mãos espalmadas, exerce uma tensão de 45º, e faz o ajuste, a técnica se repete em todo o segmento torácico.

Alívios dos artelhos: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito dorsal, braços ao lado do corpo. O terapeuta exerce tensão para distal nos artelhos e faz o ajuste, dedo por dedo. Esta manobra deve ser feita bilateral.

Laségue + estímulo através do tendão calcâneo: o paciente se coloca sobre a maca em braços ao lado do corpo. O terapeuta faz uma flexão de quadril a mais ou menos 80º, acompanhado de uma dorse flexão do mesmo membro, que deve ser tencionado ao máximo, onde se realiza o estímulo no tendão calcâneo.

Ajuste lombar: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito lateral com as mãos entrelaçadas logo abaixo dos mamilos, com a perna de baixo estendida e a de cima flexionada para fora da maca, com o pé na altura da fossa poplítea contra-lateral. O terapeuta coloca uma das mãos sobre o ombro de cima do paciente, a outra mão deve ser colocada sobre a espinha ilíaca póstero-superior exercendo uma tensão de forma rotacional, com o auxílio do joelho do terapeuta sobre o joelho flexionado do paciente. Após ser exercida a tensão o ajuste deve ser feito sobre a espinha ilíaca póstero-superior, sentido apendicular.

Ajuste cervical: o paciente se coloca sobre a maca em decúbito dorsal, braços ao lado do corpo. O terapeuta faz uma leve flexão e uma rotação máxima da cervical do paciente, exercendo a ajuste. Executa-se a técnica para os a dois lados.

Tração torácica: o paciente de pé, com as mãos cruzadas sobre os ombros. O terapeuta coloca-se atrás do paciente, trazendo-o contra ele, e exercendo uma tensão no sentido cranial, em dois tempos.

– Reavaliação Final
Após as dez sessões foi aplicado novamente o teste de Schober para a coleta dos dados.

Resultados

Percebeu-se através deste estudo que os pacientes tiveram benefícios ao realizar o tratamento proposto, através do teste de Schober.

Os resultados referentes ao teste de Schober estão ilustrados no gráfico 1. Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas em virtude da aplicação do protocolo de treinamento.

A análise da flexibilidade lombar pré-tratamento apontou média de 5,25 ± 1,06, o resultado pós-tratamento apresentou média de 6,05 ± 0,35. A comparação estatística demonstrou diferença significativa (p=<0,013), o que evidenciou aumento da flexibilidade lombar. Os dados estão exemplificados no gráfico 1.

Gráfico 1: a influencia do protocolo básico de quiropraxia na flexibilidade lombar.

Discussão

O objetivo do presente estudo foi analisar a influência do protocolo básico de quiropraxia sobre a flexibilidade lombar em caminhoneiros com lombalgia.

Após a aplicação da quiropraxiafoi observada melhora da flexibilidade lombar.

Moraes (2002), afirma que indivíduos com boa flexibilidade movem-se com mais facilidade e tendem a sofrer menos desconfortos, lesões musculares e articulares, particularmente na região lombar.

Concordando com o resultado deste trabalho, Peterson & Bergmann (2002), quando afirmam que os procedimentos que utilizam manipulações articulares globais promovem uma redução geral do espasmo muscular, melhorando a flexibilidade e consequentemente a dor.

Keller et al. (2006), mostraram que a manipulação vertebral pode melhorar a flexibilidade lombar e restaurar os movimentos em todos os planos anatômicos, servindo, portanto, para a eliminação do componente cinesiopatológico.

Mannion et al. (2001) compararam indivíduos do gênero masculino em três diferentes programas. Os autores objetivaram verificar a influência destes programas sobre a incidência de flexibilidade lombar. Os programas consistiam de três meses de exercícios, sendo realizados duas vezes na semana. O primeiro grupo realizou exercícios aeróbicos de baixo impacto (50 indivíduos), o segundo realizou ajustes específicos de quiropraxia para a região lombar, (49 indivíduos) e o terceiro grupo realizou, fortalecimento muscular com exercícios de flexão frontal, flexão lateral, e rotação, bem como exercícios na bicicleta, exercícios de flexibilidade, e exercícios de relaxamento (49 indivíduos). Após os três programas, todos os grupos demonstraram significante melhora na flexibilidade lombar, distúrbios de humor, e melhora da aptidão física, maior resistência muscular e diminuição da fadiga, em relação ao período anterior ao programa. Melhorias em relação a flexibilidade lombar foram significativamente maiores para o grupo de fortalecimento com flexão frontal, flexão lateral, e rotação lombar em relação aos demais grupos.

Em estudos realizados por Nelson (2005), os grupos submetidos às técnicas quiropráticas de manipulação da lombar, comparadas com os grupos sem tal manipulação, houve uma redução significativa nos custos e procedimentos médicos invasivos para o tratamento da lombalgia.

Lihman et al.(2005) Avaliaram a eficácia de outras formas de tratamento na redução da lombalgia, como exercícios de tronco para prevenir e tratar a dor lombar. As abordagens que utilizam mobilização e manipulações reduziram significamente a dor lombar.

Cherkin et al.(2003) afirmam que a dor lombar é a razão mais comum que leva pacientes a usar terapias complementares e alternativas, como quiropraxia (40%), massagem (20%) e acupuntura (14%).

O teste de Schober mostrou diferenças significativas após aplicação do protocolo básico de quiropraxia, o que denota benefícios advindos do mesmo. Segundo Thomas et al. (1998) restrição de mobilidade lombar e ocorrência de dor lombar são frequentemente observadas.

Segundo Souza (2001), as bases teóricas da quiropraxia estão fundamentadas no estudo das articulações em geral, especialmente da coluna vertebral e de sua relação com os nervos que conduzem os impulsos para todos os órgãos e estruturas corporais. Estes impulsos são de vital importância ao organismo.

Conclusão

Pode-se concluir a eficácia terapêutica do protocolo básico de quiropraxia na melhora da flexibilidade lombar.

Sendo assim, esse método mostrou-se adequado para o tratamento das lombalgias em caminhoneiros, e pode ser incentivado como mais uma ferramenta para o profissional fisioterapeuta, principalmente quando a abordagem objetivar a resolução de questões relativas à lombalgia. Sugiro que novos trabalhos sejam feitos, utilizando-se de um numero amostral maior, outras técnicas de quiropraxia, bem como maior numero de sessões semanais.

Referências

1-NETO, L.M. Manual de Quiropraxia.Apostila de Pós Graduação do curso de Quiropraxia – Inspirar – Pr. Abril 2009.

2-SOUZA, MM. Manual de Quiropraxia. 2ªed. São Paulo: Editora Ibraqui, 2001.

3-WEINER, D. K. et al. Fatores de pré-disposição clínica da dor lombar persistente em adultos. vol. 112. Revista da Associação Internacional para o Estudo da Dor. São Paulo, 2004.

4-WALKER BF (2000). The prevalence of low back pain: a systematic review of the literature from 1966 to 1998. J Spinal Disord.

Dr. Jemerson
Dr. Jemerson
- Graduação em Fisioterapia pela Universidade Tuiuti do Paraná - 1999; - Pós-Graduado em Fisioterapia em Quiropraxia - INSPIRAR; - Especialista pelo COFFITO em Fisioterapia em Quiropraxia; - Professor do Curso de Quiropraxia e Terapia Manual no Brasil e Portugal; - Formação em Terapia Manual e Postural Internacional, TM na Coluna Torácica e Manipulação Tecidual Funcional em Paris; - Maitland, Osteopatia, Trilhos Fasciais, RPG; - Diretor da Faculdade Inspirar Sede Balneário Camboriú - SC.