O risco de ajuste na coluna cervical

Dr. Pablo Dias

Muitas postagens foram divulgadas na internet, alertando sobre o risco da manipulação cervical, devido ao risco de lesão vascular e realmente alguns estudos apontam risco de ruptura da artéria vertebral e até mesmo da carótida.  É importante considerar, que quando se fala de ruptura da artéria vertebral, não se postula de uma ruptura transversal do vaso, mas de pequenas dissecções na túnica ou camada íntima deste vaso. Estas rupturas podem promover incidentes vasculares, como formação de coágulos e até mesmo trombos, que podem se deslocar formando êmbolos, que por sua vez poderão ocluir a parede dos vasos de menor calibre e enfim promover um acidente vascular encefálico. Existem casos também reportados de dissecção espontânea em pacientes que sofrem traumas,  realizam movimentos bruscos ou mesmo auto manipulam-se.

No entanto é fundamental compreender que o risco de lesão vascular é muito baixo e está relacionado com a “má prática clínica”, e com o exercício de profissionais não capacitados, tanto na avaliação quanto na qualidade da intervenção técnica do procedimento.  Por isso distinguimos o ajuste da manipulação, visto que  o ajuste articular, é um procedimento muito mais controlado e alguns tipos de manipulação podem promover trauma articular promovendo dano a cartilagem ou mesmo a feixe vasculonervosos. O posicionamento e o tranco em rotação são de fato as abordagens mais preocupantes, pois acima de tudo a linha de correção, o posicionamento do paciente, o posicionamento do doutor e os pontos de contado, são fundamentais para estabelecer critérios de segurança.

O ajuste e a manipulação realizados por profissionais bem capacitados, são procedimentos seguros, alcançando estatisticamente maior segurança do que o uso de medicações não controladas, como aspirina e anti-inflamatórios. O profissional habilitado utiliza critérios de avaliação adequados e também pode escolher a técnica adequada para corrigir uma subluxação cervical, promovendo maior segurança e conforto ao paciente.

A dissecção da túnica íntima da artéria vertebral está provavelmente relacionada a uma anormalidade subjacente na parede do vaso, bem como fatores desencadeantes, como alteração histológica vascular, traumatismos de cabeça ou pescoço ou infecção (Brandt et al., 2001; Debette, 2014; Guillon et al., 2003; Robertson et al., 2016).  A incidência estimada de eventos adversos graves varia de 1 por 50.000 a 1 por 5.85 milhões de manipulações (Haldeman et al., 2001; Magarey et al., 2004; Rivett et al., 2004).