Conceitos e caracterização das técnicas Quiropráxicas

CONCEITOS E CARACTERIZAÇÃO DAS TÉCNICAS QUIROPRÁXICAS

Dr. Pablo Dias

quiro-conceitosManipulação Quiroprática: Este termo refere-se a uma grande variedade intervenções manual e mecânica que podem ser de velocidade alta ou baixa; alavanca curta ou longa; alta ou baixa amplitude; com ou sem recuo. Os procedimentos são

geralmente dirigidos a articulações específicas ou regiões anatômicas. Um ajuste pode ou não envolver a cavitação ou inibição de uma articulação (abertura de uma articulação dentro de sua zona de parafisiologia geralmente produzindo uma característica audível “click” ou “pop”). O denominador comum para as várias intervenções de ajuste é o conceito de remoção de disfunções estruturais das articulações e músculos que estão associadas a alterações neurológicas. A profissão de quiropraxia refere-se a este conceito como um “subluxação.” Este uso da palavra subluxação não deve ser confundido com uso anatômico preciso do termo, que considera apenas as relações anatômicas.

Manipulação e Mobilização: Durante o movimento articular, três barreiras ou o movimento final pode ser identificado. O primeiro é o intervalo final ativo, que ocorre quando o paciente tem músculos que controlam maximamente a articulação em um vetor direcional especial. Neste ponto, o clínico pode mover a articulação de forma passiva para uma segunda barreira chamada de faixa final passiva. Movimento até esta barreira é denominado espaço fisiológico da articulação. Para além deste ponto, o praticante pode mover a articulação para o seu espaço parafisiológico. A terceira barreira encontrada é a faixa final anatômica. O movimento para além desta faixa irá resultar em ruptura dos ligamentos da articulação.

Manipulação: Movimento passivo de pequena amplitude e de alta velocidade, onde move-se a articulação para a faixa parafisiológica. Isto é acompanhado por cavitação ou alterações repentinas da articulação, o que resulta em um fenômeno de vácuo intra-sinovial, conceito que envolve a separação de gás a partir de fluido. Geralmente acompanhada por um “pop” ou “click” audível, foi demonstrado um aumento da mobilidade articular em relação à mobilização sozinho. Este aumento no movimento dura por um período refratário de 20 a 30 minutos, período durante o qual uma cavitação adicional da mesma articulação não irá ocorrer.

A manipulação é um impulso dinâmico passivo que causa cavitação e tentativa de aumentar a amplitude de movimento da articulação manipulada.

Mobilização: movimento passivo dentro do espaço articular fisiológico administrado por um clínico com o objetivo de aumentar a escala total do movimento articular.

Conceito de Subluxação Quiropráxica

“A condição de uma vértebra que perdeu sua justaposição em relação à vértebra acima, abaixo, ou ambas num grau menor que uma luxação, que pinça os nervos e interfere com a transmissão de impulsos mentais”.

Sempre que o termo subluxação for usado, o quiropraxista quer dizer: uma disfunção ou deficiência relacional biomecânica em qualquer área do corpo,mas principalmente nas estruturas contíguas à coluna vertebral ou articulações imediatas, resultando em função neural aberrante.

Dados os seguintes três fatos cientificamente aceitos:

A homeostase capacita o corpo a sobreviver em um ambiente sempre mutável.
O sistema nervoso é controlador primário da homeostase.
Relações músculo-esqueléticas deficientes podem causar disfunções do sistema nervoso.
Subluxações acontecem quando o corpo é incapaz de se adaptar a determinada situação. O corpo está constantemente adquirindo subluxações e corrigindo-as naturalmente. Apenas quando o corpo é incapaz de corrigi-las por si próprio é que nós efetuamos um ajuste. O Quiropraxista pode formular a hipótese de que relações esqueléticas deficientes, particularmente nas estruturas complexas da coluna vertebral, podem causar perda de integridade do sistema nervoso, e assim, a perda da saúde em outras áreas do corpo. A associação de uma deficiência de relação, lesão ou disfunção estrutural com uma disfunção do sistema nervoso é comumente chamada subluxação. É essa subluxação que causará grande preocupação ao quiropraxista. Conduta neurológica normal e integrada é igual a homeostase e saúde, e conduta neurológica perturbada resulta em patofisiologia, desintegração da homeostase e eventualmente a intrusão da patologia.

Quatro componentes da subluxação:

• Perda de posição normal em relação à vértebra acima ou abaixo ou as duas. Um desalinhamento milimétrico, menor que uma luxação ou deslocamento. As facetas e ligamentos impedem um movimento vertebral maior, a não ser que haja fratura e rompimento de ligamentos, o que estão fora da prática da quiropraxia. É possível que uma vértebra esteja desalinhada sem que os outros componentes estejam presentes, não sendo, portanto uma subluxação. Esses desalinhamentos podem manifestar-se em condições médicas como a escoliose, cifose cervical,… o desalinhamento vertebral pode ser uma reação compensatória postural, funcional, ou uma compensação a uma subluxação já existente (a inteligência inata move vértebras para que isso aconteça). É importante que nos concentremos na subluxação, mas não necessariamente. Ortopedistas corrigem curvaturas com cirurgias, aparelhos ortopédicos, … subluxações podem ser criadas na tentativa de corrigir curvaturas. Radiografias pré e pós ajustamentos podem mostrar uma melhora na curvatura, mas isto não significa que as subluxações estão sendo corrigidas. A remoção de subluxações muitas vezes ajuda a normalizar a curvatura espinhal, mas a quiropraxia preocupa-se com a estrutura apenas quando esta afeta o funcionamento do sistema nervoso.

• Oclusão ou diminuição no tamanho do forâmem intervertebral ou canal medular ou os dois. É possível que haja oclusão sem que haja desalinhamento vertebral. Hérnias de disco e osteófitos são exemplos de estruturas que podem causar oclusão desses espaços e não representar necessariamente uma subluxação.

• Compressão nervosa é uma conseqüência inevitável da oclusão foraminal ou medular. Pelo forâmem intervertebral passam a raiz nervosa, a artéria espinhal e a veia espinhal, além de outras estruturas. Não há nenhum espaço livre nesta abertura. Todo espaço é tomado. Qualquer diminuição no tamanho desta abertura comprime o conteúdo do forâmem. O tecido nervoso é o mais delicado e sensível do corpo humano, por isso é normalmente o primeiro a ser afetado. De acordo com a pesquisa feita pela Universidade do Colorado, 40mmHg de pressão aplicada a um nervo é suficiente para alterar seu potencial e consequentemente seu funcionamento. É possível que haja compressão nervosa sem que haja subluxação. Um tumor pode comprimir o tecido nervoso em qualquer lugar do corpo. Um osso fraturado ou deslocado também (vértebra ou outro qualquer).

• Interferência na transmissão de impulsos mentais. É claro que se o nervo estiver sendo comprimido, haverá interferência, mas este quarto componente serve para nos lembrar de nossa base vitalística. Impulso mental difere de impulso nervoso porque “mental” tem uma conotação de inteligência, pensamento. É um impulso criado com um propósito específico em resposta a uma necessidade específica. O impulso nervoso é um fenômeno elétrico enquanto que o impulso mental é fisio-elétrico. O impulso nervoso pode ser reproduzido artificialmente, o mental não.

O Primeiro Episódio
Vamos considerear o primeiro episódio de um Complexo de Subluxação Vertebral. Simultaneamente, o primeiro dos quatro componentes do CSV se tornou ativo: Componente 1 A cinesiopatologia espinhal ocorre; a articulação é desalinhada. Componente 4 Histopatologia ocorre; inflamação, inchaço e edema surge ao redor da articulação deslocada. Metaforicamente, considere um dente inflamado com inchaço local (como se parecesse uma area inchada no lado da mandíbula). Uma área de inchaço e disfunção ocorre no lugar do CSV. Uma sequencia de evento anormal passa a acontecer:

• A lesão da articulação desalinhada é inicialmente hipermóvel.
• Sem cuidados, curará com fixação (hipomobilidade).
• Isto é acompanhado por fibrose e, com o tempo, degeneração e remodelamento local onde há CSV.
• Compensação e adaptação ocorre e o local originalmente envolvido se estende na articulação acima e ocasionalmente na articulação abaixo, as quais toda biomecanica da coluna precisase adaptar forçando um perfil biomecanico inferior ao ótimo ou ideal. Novamente considere o inchaço a longo termo, translando para fibrose/aumento da calcificação inicialmente visível nos estudos de ressonancia magnética e mais tarde na imagem por RX convencional.
• Com edisódios repetidos de CSV, a coluna aumenta o número de sitios anatomopatológicos. Estudos de Ressonancia magnética visualizam os aumentos de tecidos moles e áreas calcificadas/fibrosadas. Do ponto de vista ortopédico a coluna repetidamente traumatizada resulta em uma função deteriorada ou ” programação funcional ortopédica anormal” mediada pelo estresse gravitacional (adaptação gravitacional) e pelas necessidades de adaptação do sistema nervoso.
Componente 3 – Miopatologia – Também ocorre imediatamente. A Miopatologia não corrigida (ajustada) leva a espasmo ou hipotonicidade de longa duração e atrofia. Isto promove uma tendência a adquirir um padrão biomecânico espinhal fixado o qual resulta em um profundo padrão de hábito neuromuscular encaixado, por longo tempo os quais são um componente integral do dano ortopédico e neurológico de uma CSV descompensada (não corrigida).

Componente 2 – Neuropatofisiologia/Neuropatologia (em casos de CSV) também ocorre imediatamente. Adicionalmente também há dano neurológico no local do CSV. Isto trás todas as possíveis condições variadas que o dano neural pode causar, local para o sítio traumatizado e perifericamente. Sabendo que os nervos transmitem indormações perceptivas e adaptativas do Sistema Nervoso Central (SNC) para o corpo e do corpo para o SNC.

Componente 2 – Neuropatofisiologia/Neuropatologia – incorrigido, conduz a deterioração de toda homeostasia corporal forçando o corpo a abrigar todo tipo de estresse. Considere ainda:

Componente 4 – Histopatologia – no nível neurológico é possível a destruição ou alteração do tecido nervoso. Com a deterioração da função espinal discutida acima e os hábitos e padrões de função espinhal do sistema nervoso disfuncional a cada episódio sucessivo a condição leva a um novo nível neurológico de acometimento. Após cada episódio de CSV a função neuromuscular compensa/adapta seus padrões a novos perfis de biomecânica espinhal. Numa questão de poucos meses após o primeiro episódio, a área proprioceptiva do cerebelo e níveis locais da medula espinhal se recordam dos novos padrões anormais da coluna como se fossem normais.

O Conceito do Programa Dominante.
Cada episódio não compensado (não ajustado) de CSV carrega com ele a necessidade de compensação e adaptação local e global, criando uma função espinal espiral descendente. Esta descendência espiral pode ser explicada pelo conceito na neurologia denominado “programa dominante”. Em uma base holografica uma nova informação persistente é percebida e processada de tal forma a criar um programa novo ou alterado de funçaõ (auto contido, local automático ou resposta global para classes específicas de estímulo).

Com cada novo episódio de CSV não compensada (não ajustada), nova informação “negativa” é persistentemente recebida do local de uma lesão não tratada e um novo programa dominante de função espinhal é criado. Este novo programa é refletivo a compensação e adaptação de informaçoes causadas pela lesão não ajustada. Quando um paciente possui múltiplas lesões espinhais micro ou macrotraumáticas que seguem não ajustadas, no aspecto quiropráxico a função espinhal se torna menos otimizada. A integridade espinhal é permanentemente perdida, o processo de degeneraçao funcional e mudanças anatomopatológicas começam e continuam levando o paciente a riscos maiores de lesão espinhal futura e colapso funcional.

Em um nível estritamente espinhal, a informação nova de um episódio de CSV não ajustado e os programas dominantes degativos de funçaõ espinhal são armazenados no nível medular na forma de segmentos facilitados e arco-reflexos persistentes, nos níveis cerebelares causando equilíbrio espinhal e movimentos musculares refinados para deteriorar bem como a área proprioceptiva do hemisfério cerebral alterando o senso de posição de propriocepçao articular para adaptação posicional global espinhal.
Componente 5 – patofisiologia/patologia – A certo ponto, após os quatro primeiros componentes ocorrerem, o quinto componente de CSV se torna real. Em outras palavras, o resultante final do CSVse faz conhecer. Imediatamente no evento de uma torsão ou tensão traumática aguda lombo sacral ou por um período de tempo no caso de uma deteriorização significativa da função homeostática local e global na forma de degeneração espinhal e perda do índice de saude articular normal.

Patogênese
A primeira ocorrência disso possibilita condições degenerativas espinhais sérias, se torna uma preocupação clínica muito significativa, especialmente se um programa preventivo está a ser desenvolvido. Uma revisão de váriaspesquisas indicam que o primeiro episódio de lesão espinhal com dano neural (CSV) pode ocorrer durante o processo de nascimento.

forma

CATEGORIZAÇÃO DAS TÉCNICAS QUIROPRÁXICAS

Manual, Manipulação articular e procedimentos de ajustes
1. Procedimentos de impulso de contato específicos

a. alta velocidade de impulso

b. alta velocidade de impulso com recuo

c. baixa velocidade de impulso

2. Procedimento de impulso de contato não específicos

3. Força Manual, Procedimentos Mecanicamente Assistidos

a. mesas de Drop e impulso de ajuste em ponto final

b. mesa de ajuste de flexão-distração

c. ajustamento pélvico em bloco

4. Força Mecânica, procedimentos manualmente assistidos

a. stylus fixo, ajuste de onda de compressão

b. ajuste em movimento com instrumento stylus

B. Manual, procedimentos de manipulação e de ajuste não articular

1. Reflexo Manual e Procedimentos de relaxamento muscular

a. técnicas de energia muscular

b. técnicas de reflexos neurológicos

c. procedimentos de compressão isquêmica miofascial

d. técnicas variadas de tecidos moles

2. Procedimentos Diversos

a. reciclagem de técnicas neurais

b. abordagens conceituais

Adaptado de Haldeman S, et al. (eds). Guidelines for Chiropractic Quality Assurance and Practice Parameters. Gaithersburg, MD: Aspen Publishers, 1993.

Tabela 25. Exemplos de Técnicas Específicas Quiropráticas

Coluna completa, Técnicas de alta velocidade

Diversified
Gonstead
Thompson Terminal Point
Pierce-Stillwagon
Pettibon
Chiropractic Biophysics

Técnicas Cervical superior

Upper Cervical Specific
NUCCA
Grostic
Orthogonal

Técnicas Lombo pélvicas

Cox Flexion-distraction
Logan Basic

Diversos/Instrumentos de ajuste

Sacro-Occipital Technique
Applied Kinesiology
Activator
Toftness

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