Biologia da Célula

É a
unidade biológica e funcional dos organismos vivos. Constitucionalmente, a
célula apresenta um considerável poliformismo acompanhado por diferenças no
tamanho, número e funções.
Os elementos que constituem a célula são: o núcleo, membrana celular, citoplasma,
ribossomos, lisossomos, mitocôndrias, complexo de Golgi, micro-túbulos, cílios e
flagelos, centríolos, centrosfera, e astrosfera.
Núcleo: de forma geralmente esférica, em algumas células ocupa uma posição
bastante fixa, perto do centro e em outras se desloca encontrando-se em qualquer
ponto da célula. É um centro de controle importante; contém os fatores
hereditários (genes) que fixam os traços característicos do organismo; e, direta
ou indiretamente, controlam muitos aspectos da atividade celular. É separado do
citoplasma por uma membrana de dupla capa formada por agregados lipoprotéicos na
qual há poros que permitem a passagem de diversas substâncias, entre elas o RNA
(ácido ribonucléico). O elemento que constitui essencialmente o núcleo é o DNA (ácido
desoxirribonucléico) que se encontra combinado com proteínas ácidas e proteínas
básicas formando a cromatina (cromossomos), suspensa numa substância semilíquida
chamada carioplasma. O nucléolo, que é outro componente do núcleo, costuma estar
presente em número variável de um a quatro na maior parte das células, e numa
mesma célula pode variar segundo as diferentes etapas funcionais.
Membrana celular: denominada também membrana plasmática ou citoplasmática,
representa o limite da célula com o exterior e constitui um lugar ativo de
intercâmbios seletivos entre o ambiente exterior e o citoplasma. A membrana
plasmática é composta por um duplo estrato de lípidos e proteínas que, do
exterior ao interior se acham assim dispostos: um estrato ou capa protéica, em
contato com o ambiente exterior, um estrato lipídico, e outro estrato protéico
limitando com o citoplasma. Os dois estratos protéicos, de 25 Å (Angstrõm) de
diâmetro, são responsáveis pela elasticidade, resistência e hidrofila da
membrana plasmática. O estrato lípido de 30 Å de diâmetro constitui o esqueleto
principal. Em algumas células, a membrana plasmática apresenta, em
correspondência a própria superfície, uma série de modificações estruturais
consideradas como estruturas especializadas da porção livre ou da parede
contígua em relação aos processos fisiológicos de absorção, secreção, etc.
Citoplasma: é o material situado dentro da membrana plasmática e fora do núcleo.
É formado por um sistema de túbulos, sáculos ou vesículas denominado retículo
endoplasmático. Esta formação constitui um sistema canalicular e se distingue
numa forma granular (Retículo endoplasmático liso) que está relacionado com a
presença ou ausência de Ribossomos sobre suas membranas. No citoplasma estão
contidas diferentes enzimas e numerosos orgânulos intracelulares tais como:
Robossomos, complexo de Golgi, mitocôndrias, lisossomos, egastoplasma e
microcorpos.
Ribossomos: São corpúsculos, granulares de forma esférica formados por RNA e
proteínas na proporção 1 : 1. Podem encontrar-se livres no citoplasma ou
aderidos na superfície do retículo endoplásmatico devido ao fato que uma vez
sintetizados no núcleo passam ao citoplasma. São as unidades fundamentais que
intervêm na síntese de proteína.
Lisososomos: são orgânulos esferoidais delimitados por uma membrana de natureza
lipoprotéica que possuem enzimas líticas que ao mesmo tempo digerem proteínas,
carboidrátos, lípidos, etc. Sintetizados em estreita correspondência dos
ribossomos livres e migram para o complexo de Golgi e se condensam em orgânulos
revestidos de membranas lipoprotéicas. Neles se depositam as enzimas líticas em
forma inativa, dispostas para serem utilizadas segundo as necessidades e
exigências da célula. A ação dos lisossomos se desenvolve sobre materiais
englobados pela célula pelo mecanismo da pinocitose ou da fagocitose. Sobre
estes elementos atuam as enzimas líticas que digerem as substâncias estranhas
dando origem ao chamado corpo residual. Quando um lisososomo está digerindo uma
fração celular toma o nome de Vacúolo Autofágico. Mitocôndrias: São corpúsculos
geralmente ovais delimitados por duas membranas de natureza lipoprotéica, uma
externa e outra concêntrica no interior. A função primordial das mitocôndrias é
a liberação de energia, transformam a energia potencial dos alimentos em energia
biológicamente útil.
Complexo de Golgi: encontra-se presente em quase todas as células, exceto nos
espermatozóides maduros e nos glóbulos vermelhos. É composto por feixes
paralelos de membranas sem grânulos, que podem estar distendidos em certas
regiões formando pequenas vesículas ou vacúolas cheias de produtos celulares.
Pode estar situado perto do núcleo e pensa que serve como lugar de armazenamento
temporário para proteínas e outros compostos sintetizados no Retículo
Endoplasmático. Microtúbulos: São sub-unidades citoplasmáticas cilíndricas ocas
constituídas principalmente por uma glucoproteína chamada tubulina. Têm
importância na conservação e controle da forma da célula, e participam nos
movimentos celulares. Os microtúbulos são também os componentes estruturais mais
importantes do cílios e flagelos.
Cílios e flagelos: são diferenciações particulares da superfície celular que se
encontram só em alguns tipos de células de territórios epiteliais particulares (túbulos
renais, árvore tráqueobronquial, espermatozóide, etc..) e dada sua contituição
permitem um fácil mecanismo de mobilidade e uma funcionalidade particular capaz
de promover movimentos livres das superfícies com a intenção de expelir
substâncias prejudiciais para a célula.
Centríolos centrosfera e astrofera: são formações citoplasmáticas que se
manifestam durante as fases das divisões mitóticas. Os centríolos são
corpúsculos muito pequenos, esféricos, que constituem um suporte importante dos
cromossomos na fase da divisão celular. Cada centríolo se encarrega da formação
de um centríolo fixo, de maneira que à cada geração celular lhe corresponda dois
centríolos.
A centrosfera é formada por uma zona de citoplasma mais claro e homogêneo. A
astrofera se observa só nas fases avançadas da divisão celular e é responsável
pela formação dos filamentos do huso. Intercâmbio de materiais entre a célula e
o meio ambiente. A membrana plasmática representa o limite de separação da
célula com o ambiente externo. É uma estrutura funcional ativa com mecanismos
enzimáticos que deslocam moléculas específicas penetrando ou saindo da célula
contra um gradiente de concentração. Possui permeabilidade diferencial ou
seletiva que permite a passagem de certas substâncias e impede a de outras.
Difusão é o termo geral para definir o movimento de moléculas de uma região de
alta concentração para outra mais baixa, pelo efeito da energia cinética das
moléculas.
A diálise é a difusão de partículas dissolvidas (soluto) através de uma membrana
semipermeável, e a osmose é a difusão de moléculas do solvente (água) através da
mesma. Nos líquidos de qualquer célula viva se encontram sais, açucares e outras
substâncias em solução; o líquido tem, pois, certa pressão osmótica. Quando a
célula submerge num líquido com a mesma pressão osmótica, não há movimento neto
de moléculas de água dentro ou fora da célula (a célula não incha nem encolhe)
Por isso dizemos que o líquido é isotônico ou isosmótico com relação à célula;
normalmente o plasma sangüíneo e todos os líquidos do organismo são isotônicos,
pois contém a mesma concentração de substâncias dissolvidas que as células. Se a
concentração das substâncias dissolvidas no líquido circundante é maior do que a
existente dentro da célula, a água tem como tendência sair da célula, e como
conseqüência esta se contrai. Este líquido é hipertônico em relação à célula. Se
o líquido tem menos substâncias dissolvidas que a célula, é hipotônico e a água
tem como tendência penetrar na célula fazendo que ela inche.
CÉLULAS E
TECIDOS
A célula é a unidade primordial, a menor porção de massa organizada de matéria
viva. As suas dimensões variam de 5 milésimos de milímetro (5mícrons) a 1/5 de
milímetro. A célula pode ser observada e estudada somente ao microscópio e quase
sempre depois de ter sofrido uma preparação especial. Calcula-se que o corpo
humano seja constituído, aproximadamente, por cem mil milhares de células. Não
são elas, evidentemente, todas iguais, mas diferençam-se tendo em vista as suas
funções; apesar disso têm uma estrutura geral e caracteres comuns.
As
células são constituídas por uma substância chamada citoplasma, a qual é
cercada por uma membrana, e contém um corpúsculo, o núcleo.
O citoplasma é uma massa homogênea, transparente, gelatinosa. Quimicamente
se compõe de água (80%), sais minerais (2%), graxas (lipídios) e proteínas (protídios).
O citoplasma é circundado por uma camada de substância mais viscosa e mais
elástica: a membrana, que difere do citoplasma somente pela estrutura das
moléculas. A membrana dá à célula a sua forma, assegura o seu contacto com os
elementos vizinhos, regula as trocas com o ambiente e constitui o principal
fator da permeabilidade celular seletiva, em virtude da qual tem a célula a
propriedade de escolher as substâncias que devem nela penetrar para nutri-la ou
para realizar outras importantes funções vitais. No citoplasma existem inclusões,
das quais a principal é o núcleo. O núcleo tem o aspecto de uma vesícula
esférica, que encerra um ou dois corpúsculos menores ainda: os nucléolos.
Também o núcleo é limitado por uma membrana, a membrana nuclear, que pode
ser comparada à membrana da célula. Dentro do núcleo, além dos nucléolos, existe
uma substância fundamental, o nucleoplasma, que é muito mais consistente
do que o citoplasma. No nucleoplasma pode-se distinguir uma substância
particular, que se cora vivamente com os reativos e é por isso chamada
cromatina (constituída quimicamente por nucleoproteínas).
O citoplasma contém, além do núcleo, outras formações, que são: o centrossomo,
os condriossomos, o corpo de Golgi, os vacúolos.
O centrossomo é um corpozinho arredondado que está geralmente encostado ao
núcleo (raramente está no interior do núcleo) e que toma parte ativa na
reprodução da célula.
Os condriossomos são corpúsculos de diversas formas: bastõezinhos, filamentos
flexuosos, ou, então, grânulos (em tais casos são chamados mais
propriamente mitocôndrios). Os condriossomos são particularmente
numerosos nas células secretoras. Acredita-se que tenham grande importância nas
transformações químicas que têm lugar no citoplasma. O corpo de Golgi é uma
espécie de retículo muito denso situado junto do núcleo. Como os condriossomos,
parece que ele tem importância na atividade química da célula. Os vacúolos são
elementos inertes e muito pequenos; aparecem como zonas do citoplasma nas quais
se acumulam as substâncias solúveis elaboradas pela célula, ou então as
substâncias de reserva ou aquelas de rejeição.
A REPRODUÇÃO CELULAR
A célula é dotada da propriedade de multiplicar-se.
Para fazer isso ela se divide em duas partes. Toda célula provém da divisão de
uma célula preexistente. A divisão da célula tem lugar, quase sempre, em
conseqüência de um processo complicado que se chama mitose. A mitose tem
lugar do seguinte modo:
-No curso de uma primeira fase, os nucléolos desaparecem, o
centrossomo se divide em duas partes que se vão dispor em dois pontos
diametralmente opostos da célula.
A volta destes dois centrossomos de nova constituição, formam-se estrias
radiadas chamadas áster. No núcleo, a cromatina junta-se em certo número
de pequenos corpos, os cromossomos, numero sempre igual para cada espécie
animal. No homem, os cromossomos são 46.
-A segunda fase
é caracterizada pelo desaparecimento da membrana nuclear.
O nucleoplasma se confunde, portanto, com o citoplasma, constituindo uma massa
única onde as duas formações não são mais diferenciáveis. Os dois centrossomos
estão unidos entre si por estrias que, no seu conjunto, assumem a forma de um
fuso: o fuso acromático. No centro deste fuso e, portanto, no centro da
célula, dispõem-se os cromossomos que se dividem longitudinalmente, duplicando
assim o seu número.
-Na terceira fase, ou fase de migração, os cromossomos deslizam
lentamente ao longo das fibras do fuso acromático e chegam aos pólos onde se
encontram os centrossomos. Junto destes se formam, portanto, duas coroas de
cromossomos em igual número.
-Na quarta e última fase, os cromossomos nos dois pólos da célula
perdem a sua individualidade; reforma-se assim, da sua fusão, a cromatina
originária e um núcleo com a sua membrana nuclear. O citoplasma, entretanto,
na sua metade, forma um septo divisório; constituíram-se assim duas células que
depois se sepaparam.
