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O CORAÇÃO - ANATOMIA

1 - Coronária
Direita
2 - Coronária
Descendente Anterior Esquerda
3 - Coronária
Circunflexa Esquerda
4 - Veia Cava
Superior
5 - Veia Cava
Inferior
6 - Aorta
7 - Artéria
Pulmonar
8 - Veias
Pulmonares

9 - Átrio
Direito
10 - Ventrículo
Direito
11 - Átrio Esquerdo
12 - Ventrículo
Esquerdo
13 - Músculos
Papilares
14 - Cordoalhas
Tendíneas
15 - Válvula
Tricúspide
16 - Válvula Mitral
17 - Válvula
Pulmonar
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(1ª PARTE)
Como somos complexos seres multicelulares e como todas as nossas células, enquanto vivas, desempenhando suas funções, necessitam constantemente de nutrição, oxigênio e demais substâncias, é necessário um bombeamente contínuo do sangue por toda a vasta rede vascular que possuímos. Tal bombeamento é feito, o tempo todo, através de uma bomba muscular, que se encontra funcionando desde a nossa vida embrionária, quando nem sequer forma humana ainda tínhamos: o nosso coração.
O coração pode ser, portanto, considerado como uma importante bomba muscular.

Como podemos observar na ilustração acima, o nosso coração possui 4 cavidades: 2 átrios e 2 ventrículos.
Através das 2 veias cavas (inferior e superior) o sangue, venoso, chega ao coração proveniente da grande circulação sistêmica. O coração recebe este sangue através do átrio direito.
Do átrio direito o sangue, rapidamente, vai passando ao ventrículo direito. Cerca de 70% do enchimento ventricular se faz mesmo antes da contração atrial. Durante a contração atrial completa-se o echimento ventricular.
Logo em seguida, com a sístole ventricular, uma boa quantidade de sangue venoso do ventrículo direito é ejetado para a artéria pulmonar. Desta, o sangue segue para uma grande rede de capilares pulmonares. Ao passar através dos capilares pulmonares as moléculas de hemoglobina presentes no interior das hemáceas vão recebendo moléculas de oxigênio que se difundem do interior dos alvéolos, através da membrana respiratória, para o interior dos capilares pulmonares e interior das hemáceas. O gás carbônico, ao mesmo tempo, se difunde em direção contrária, isto é, do interior dos capilares pulmonares para o interior dos alvéolos. Desta maneira o sangue se torna mais enriquecido de oxigênio e menos saturado de gás carbônico.
Este sangue volta então, mais rico em oxigênio, ao coração. Através das veias pulmonares o sangue atinge o átrio esquerdo e vai rapidamente passando ao ventrículo esquerdo. Com a sístole atrial uma quantidade adicional de sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo, completando o enchimento deste.
Em seguida, com uma nova sístole ventricular, o sangue é ejetado do ventrículo esquerdo para a artéria aorta e desta será distribuído, por uma enorme rede vascular, por toda a circulação sistêmica.
Após deixar uma boa quantidade de oxigênio nos tecidos, o sangue retorna mais pobre em oxigênio do mesmos, é coletado pelas grandes e calibrosas veias cavas, por onde retorna ao coração, no átrio direito.
Um jovem saudável, em repouso, apresenta aproximadamente os seguintes volumes de sangue nas câmaras ventriculares:
Volume Diastólico Final (o volume de sangue que se encontra em cada câmara ventricular ao final de uma diástole): 120 a 130 ml.
Volume Sistólico Final (o volume de sangue que se encontra em cada câmara ventricular ao final de uma sístole): 50 a 60 ml.
Volume Sistólico ou Débito Sistólico (o volume de sangue ejetado por cada câmara ventricular durante uma sístole): 70 ml.
Se, durante 1 minuto, um adulto normal em repouso apresenta aproximadamente 70 ciclos (sístoles e diástoles) cardíacos e se, a cada ciclo, aproximadamente 70 ml. de sangue são ejetados numa sístole, podemos concluir que, durante 1 minuto, aproximadamente 5 litros (70 x 70 ml.) de sangue são ejetados por cada ventrículo a cada minuto. O volume de sangue ejetado por cada ventrículo a cada minuto é denominado Débito Cardíaco (DC).
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(SISTEMA DE PURKINJE)
A ritmicidade própria do coração, assim como o sincronismo na contração de suas câmaras, é feito graças um interessante sistema condutor e excitatório presente no tecido cardíaco: O Sistema de Purkinje. Este sistema é formado por fibras auto-excitáveis e que se distribuem de forma bastante organizada pela massa muscular cardíaca.
Podemos conferir, na ilustração abaixo, como se distribuem as diversas fibras que formam o Sistema de Purkinje:

Algo interessante de se verificar no músculo cardíaco é a forma como suas suas fibras se dispõem, umas junto às outras, juntando-se e separando-se entre sí, como podemos observar na ilustração abaixo.

Uma grande
vantagem neste tipo de disposição de fibras é que o impulso, uma vez atingindo
uma célula, passa com grande facilidade às outras que compõem o mesmo conjunto,
atingindo-o por completo após alguns centésimos de segundos. A este conjunto de
fibras, unidas entre sí, damos o nome de sincício. Portanto podemos dizer que
existe uma natureza sincicial no músculo cardíaco.
Existem, na verdade,
2 sincícios funcionais formando o coração: Um sincício atrial e um sincício
ventricular. Um sincício é separado do outro por uma camada de tecido fibroso.
Isto possibilita que a contração nas fibras que compõem o sincício atrial ocorra
num tempo diferente da que ocorre no sincício ventricular.
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(2ª PARTE)
REGULAÇÃO DA ATIVIDADE CARDÍACA
Conforme foi dito no capítulo anterior, o coração, num adulto jovem saudável e em repouso ejeta, a cada minuto, aproximadamente 5 litros de sangue através de cada câmara ventricular.
Mas acontece que, ao se praticar alguma atividade física mais intensa, com a dilatação acentuada de diversos vasos sanguíneos na musculatura esquelética, uma quantidade bem maior de sangue passa a retornar ao coração. O coração então, nessas ocasiões, passa também a ejetar a mesma quantidade através de seus ventrículos e evitando assim a ocorrência de uma estase sanguínea. Em determinados momentos, com atividade física intensa, o volume de sangue que retorna ao coração chega até a aproximadamente 25 litros por minuto e, ainda assim, muitas vezes o coração é capaz de bombear todo este volume.
Lei de
Frank-Starling:
Estabelece que o
coração, dentro de limites fisiológicos, é capaz de ejetar todo o volume de
sangue que recebe proveniente do retorno venoso.
Podemos então concluir que o coração pode regular sua atividade a cada momento, seja aumentando o débito cardíaco, seja reduzindo-o, de acordo com a necessidade.
Vejamos, portanto, de que forma o coração controla sua atividade:
Controle da Atividade Cardíaca:
O controle da atividade cardíaca se faz tanto de forma intrínseca como também de forma extrínseca.
Controle
Intrínseco:
Outra forma de controle intrínseco:
Controle extrínseco:
Além do controle intrínseco o coração também pode aumentar ou reduzir sua atividade dependendo do grau de atividade do Sistema Nervoso Autônomo (SNA).
O Sistema Nervoso Autônomo, de forma automática e independendo de nossa vontade consciente, exerce influência no funcionamento de diversos tecidos do nosso corpo através dos mediadores químicos liberados pelas terminações de seus 2 tipos de fibras: Simpáticas e Parassimpáticas.
As fibras simpáticas, na sua quase totalidade, liberam nor-adrenalina. Ao mesmo tempo, fazendo também parte do Sistema Nervoso Autônomo Simpático, a medula das glândulas Supra Renais liberam uma considerável quantidade de adrenalina na circulação.
Já as fibras
parassimpática, todas, liberam um outro mediador químico em suas terminações:
acetilcolina.
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(HEMODINÂMICA)
Durante todo o tempo o sangue flui, constantemente, por uma vasta rede vascular por todos os nossos tecidos.
O coração bombeia continuamente, a cada sístole, um certo volume de sangue para nossas artérias. O sangue encontra uma certa resistência ao fluxo, proporcionada em grande parte pelo próprio atrito das moléculas e células sanguíneas contra a parede de um longo caminho encontrado a frente através de nossos vasos sanguíneos, de variados diâmetros e numerosas ramificações.
O fluxo sanguíneo varia bastante nos diferentes tecidos. Determinados tecidos necessitam de um fluxo bem maior do que outros. Tecidos como músculos esqueléticos apresentam grandes variações no fluxo sanguíneo através dos mesmos em diferentes situações: Durante o repouso o fluxo é relativamente pequeno, mas aumenta significativamente durante o trabalho, quando o consumo de oxigênio e demais nutrientes aumenta e a produção de gás carbônico e outros elementos também aumenta.
Através de uma vasodilatação ou de uma vasoconstrição, a cada momento, o fluxo sanguíneo num tecido pode aumentar ou diminuir, devido a uma menor ou maior resistência proporcionada ao mesmo.
Dois importantes fatores que determinam o fluxo num vaso pode ser demonstrado pela seguinte fórmula:
FLUXO = PRESSÃO / RESISTÊNCIA
Diante disso podemos concluir que, aumentando a pressão, o fluxo aumenta; aumentando a resistência, o fluxo diminui.
A resistência ao
fluxo, por sua vez, depende de diversos outros fatores:
Diante dos diferentes fatores citados acima e de que forma os mesmos interferem no fluxo sanguíneo, podemos melhor entender a Lei de Poiseuille:
FLUXO = DP.(D)4 / V.C
Onde:
DP
= Variação de Pressão entre um segmento e outro do segmento vascular.
C
= Comprimento do vaso.
V
= Viscosidade do sangue.
D
= Diâmetro do vaso.
VELOCIDADE DO SANGUE:
A
Velocidade do sangue nos
vasos também varia dependendo do diâmetro do vaso:
Quanto maior o diâmetro de um vaso, menor será a velocidade do sangue
para que um mesmo fluxo ocorra através deste vaso.
Vejamos um exemplo:
A área de
secção de reta da artéria aorta é de aproximadamente
2,5 cm2.
Já a área de secção de reta de todos os capilares existentes no nosso corpo (somados)
seria de, aproximadamente, 1000 vezes maior do que a da aorta (2,5 cm2
X 1.000 = 2500 cm2 =
25 m2).
A velocidade do
sangue na artéria aorta é de, aproximadamente, 30
cm/segundo. Sendo assim, a velocidade do sangue num
capilar seria de, aproximadamente, 1.000 vezes menor, ou seja, 30 cm/seg / 1.000
= 0,3 mm/seg.
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CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL
Conforme pudemos constatar no tópico "hemodinâmica", o fluxo sanguíneo no interior dos vasos depende diretamente da pressão arterial: quanto maior a pressão, maior é o fluxo.
Portanto, é muito importante que nós tenhamos uma adequada pressão arterial pois, se esta for muito baixa, o fluxo será insuficiente para nutrir todos os tecidos; por outro lado, uma pressão excessivamente elevada pode, além de sobrecarregar o coração, acelerar o processo de envelhecimento das artérias e, pior ainda, aumentar o risco de um acidente vascular (do tipo derrame cerebral).
Para que a pressão arterial em nosso corpo não seja nem elevada demais nem baixa demais, possuimos alguns sistemas que visam controlar nossa pressão arterial.
Destacamos abaixo 3 mecanismos importantes que atuam no controle de nossa pressão arterial:
MECANISMO NEURAL
Como o próprio nome diz, envolve a importante participação do Sistema Nervoso. Não é o mecanismo mais importante, porém é o mais rápido em sua ação.
Situado no tronco cerebral, na base do cérebro, um circuito neuronal funciona a todo momento, estejamos nós acordados ou dormindo, em pé ou sentados ou mesmo deitados, controlando, entre outras coisas, a nossa frequência cardíaca, força de contração do coração e tônus vascular de grande parte de nossos vasos. Tal circuito nenomina-se Centro Vasomotor.
Quanto maior a atividade do centro vasomotor, maior é a frequência cardíaca, maior é a força de contração do coração e maior é a vasoconstrição em um grande número de vasos.
Ora, o aumento da frequência cardíaca e da força de contração provocam um aumento no Débito Cardíaco; o aumento na vasoconstrição provoca um aumento na resistência ao fluxo sanguíneo. Lembremos da seguinte fórmula: PRESSÃO ARTERIAL = DÉBITO CARDÍACO X RESISTÊNCIA.
Podemos então concluir que, o aumento da atividade do Centro Vasomotor induz a um consequente aumento na Pressão Arterial.
Na parede da artéria aorta, numa região denominada croça da aorta, e também nas artérias carótidas, na região onde as mesmas se bifurcam (seios carotídeos), possuímos um conjunto de células auto-excitáveis que se excitam especialmente com a distensão dessas grandes e importantes artérias. A cada aumento na pressão hidrostática no interior dessas artérias, maior a distensão na parede das mesmas e, consequentemente, maior é a excitação dos tais receptores. Por isso estes receptores são denominados baroceptores (receptores de pressão). Acontece que esses baroceptores enviam sinais nervosos inibitórios ao Centro Vasomotor, reduzindo a atividade deste e, consequentemente, reduzindo a pressão arterial.
Portanto, quando a pressão naquelas importantes artérias aumenta (ex.: no momento em que deitamos), os baroceptores aórticos e carotídeos se tornam mais excitados e, com isso, inibem mais intensamente o nosso Centro Vasomotor, localizado no tronco cerebral. Com isso a nossa pressão arterial diminui; por outro lado, quando a pressão naquelas artérias diminui (ex.: no momento em que nos levantamos), os tais baroceptores se tornam menos excitados e, com isso, inibem menos intensamente o nosso Centro Vasomotor, o que provoca um aumento na pressão arterial.
MECANISMO RENAL
Este é o mais importante e pode ser subdividido em 2 mecanismos: hemodinâmico e hormonal.
Hemodinâmico:
Um aumento na pressão arterial provoca também um aumento na pressão hidrostática nos capilares glomerulares, no nefron. Isto faz com que haja um aumento na filtração glomerular, o que aumenta o volume de filtrado e, consequentemente, o volume de urina. O aumento na diurese faz com que se reduza o volume do nosso compartimento extra-celular. Reduzindo tal compartimento reduz-se também o volume sanguíneo e, consequentemente, o débito cardíaco. Tudo isso acaba levando a uma redução da pressão arterial.
Hormonal:
Uma redução na pressão arterial faz com que haja como consequência uma redução no fluxo sanguineo renal e uma redução na filtração glomerular com consequente redução no volume de filtrado. Isso faz com que umas células denominadas justaglomerulares, localizadas na parede de arteríolas aferentes e eferentes no nefron, liberem uma maior quantidade de uma substância denominada renina. A tal renina age numa proteína plasmática chamada angiotensinogênio transformando-a em angiotensina-1. A angiotensina-1 é então transformada em angiotensina-2 através da ação de algumas enzimas. A angiotensina-2 é um potente vasoconstritor: provoca um aumento na resistência vascular e, consequentemente, aumento na pressão arterial; além disso, a angiotensina-2 também faz com que a glândula supra-renal libere maior quantidade de um hormônio chamado aldosterona na circulação. A aldosterona atua principalmente no túbulo contornado distal do nefron fazendo com que no mesmo ocorra uma maior reabsorção de sal e água. Isso acaba provocando um aumento no volume sanguíneo e, consequentemente, um aumento no débito cardíaco e na pressão arterial.
DESVIO DO FLUIDO CAPILAR
É o mais simples
de todos:
Através dos
numerosos capilares que possuímos em nossos tecidos, o sangue flui
constantemente graças a uma pressão hidrostática
a qual é submetido. Os capilares são fenestrados e, portanto, moléculas pequenas
como água podem, com grande facilidade e rapidez, passar tanto de dentro para
fora como de fora para dentro dos através da parede dos capilares. A pressão
hidrostática, no interior dos capilares, força constantemente a
saída
de água para fora dos
capilares. Felizmente há uma pressão oncótica (ou
pressão coloidosmótica), exercida por colóides em
suspensão no plasma (como proteínas plasmáticas) que força, também
constantemente, a entrada de água
para dentro dos capilares. Normalmente há um certo equilíbrio: a mesma
quantidade de áqua que sai, também entra. Mas quando ocorre um aumento ou
redução anormal na pressão hidrostática no interior dos capilares, observamos
também um aumento ou uma redução mais acentuada na saída de água através da
parede dos mesmos capilares. Isso faz com que fiquemos com um volume sanguíneo
mais reduzido ou mais aumentado, dependendo do caso, o que certamente influi na
pressão arterial, reduzindo-a ou aumentando-a.
Abaixo Imagem de um Eletro Cardiograma Normal:
