Sociedade Brasileira de Reabilitação Traumatológica e Ortopédica

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Planos de Saúde e a Qualidade de Atendimento em Reabilitação

O acesso a assistência multidisciplinar de saúde torna-se cada vez mais dificultoso: exames sofisticados, internações, avaliações de especialistas e procedimentos terapêuticos tornam-se cada vez mais sofisticados e diversificados. Desta forma hoje se conformaciona como uma necessidade a adesão a sistemas de convênios ou planos de saúde, como uma ferramenta de garantia ou seguro para o acesso à assistência de saúde, mesmo que o investimento mensal do credenciado seja vultuoso e que ao final da cada ano, na "ponta do lápis" não haja custo benefício, em contra partida a opção de atendimento particular. Assim sendo quando há a necessidade de internaçãoou intervenção cirúrgica o beneficiário sente-se premiado com um acesso compatível com a dignidade diretamente proporcional ao pacote oferecido pela seguradora. Mas algumas perguntas pairam no ar: será que todos os procedimentos estão cobertos pelas seguradoras? Será que a melhor intervenção ou a intervenção mais apropriada tem a devida cobertura? Há qualidade em todos os procedimentos e especialidades cobertos pelo plano de saúde? Essas e outras perguntas, levam nosso raciocínio a alguns pontos obscuros principalmente ao entendimento dos beneficiários, sobre o que se dá nos bastidores da assistência privada de saúde entre os planos e os profissionais. Poucas pessoas estão cientes da dificuldade de prestadores de serviços de saúde de diferentes especialidades para serem credenciados, pois as seguradoras tem negado na maioria das vezes, fato que cerceia o mercado, impedindo que um paciente obtenha um tratamento de um profissional o qual teve seu credenciamento vedado. A sociedade já está ciente da mobilização médica em torno dos seus honorários, a qual relata e faz comparações sobre o desproporcional aumento entre a receita obtida pela seguradora através do faturamento do segurado e o estagnado honorário pago aos profissionais médicos. Mas se os órgãos representativos médicos estão travando batalhas políticas e jurídicas em prol do défcit de seus honorários, por outro lado há um “arroxo” ainda maior em outras áreas, como na fisioterapia e na reabilitação física. No entanto a reação ao baixo honorário pago pelas seguradoras é plácida e insidiosa. Na reabilitação a resposta a desvalorização da especialidade frente as seguradoras teve reversão direta ao paciente na forma de má qualidade de atendimento, com o uso de métodos , técnicas e produtos mais baratos que dispendiem menor tempo e atenção dos interventores, fisioterapêutas ou médicos fisiatras, de forma que se possa gerar maior número de atendimentos em um tempo cada vez mais reduzido de atendimento. Quantidade em detrimento da qualidade nos serviços de Fisioterapia, Medicina Física e Reabilitação. O resultado destes eventos é , não em todos , mas em muitos casos de de complexidade e ou gravidade, a ineficácia do tratamento. Isto só favorece o surgimento sobre opiniões errôneas a respeito do arsenal terapêutico em terapia física e reabilitação que transcendem as outras especialidades de saúde, muitas vezes alcançando o público leigo, a qual vem a ressaltar que a fisioterapia não funciona para determinados casos. Desta forma é importante salientar a velha lei: " Em uma fazenda todos os animais são semelhantes; porém alguns animais são mais semelhantes do que outros." Esta é apenas um alusão em forma de aforismo o qual pode explicar o fato que os serviço de fisioterapia ou medicina física não oferecem o mesmo nível de atenção a saúde nem mesmo a capacitação técnica; e salvando algum heroismo que ainda se faz presente no mercado de saúde não há possibilidade viável para prestação de um serviço de excelência em Fisioterapia e Reabilitação através das seguradoras e planos de saúde. Através dos convênios, métodos específicos da Físioterapia como RPG (Reeducação Postural Global), Mulligan, Maitlan, Osteopatia, Quiropraxia, Kabath, Acupuntura , monitoramento e intervenção intensiva em reabilitação traumato-ortopédica entre outros muitos tratamentos, não estarão disponíveis. Resolver estes e outros problemas que tangenciam a prestação e acesso a saúde através de excrescências da visão empresarial das seguradoras, estas sim são tarefas difíceis a serem realizada pela ANS (Agência Nacional de Saúde), pois o joio deve ser separado do trigo.

Dr. Pablo Fabrício Flôres Dias

pablo@sbrto.com.br

Fisioterapêuta Clínico

Crefito 51432 F

Membro Titular da SBRTO