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Gilson Shinzato, o divulgador da isocinética no Brasil
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Fisiatra
nikkei faz de sua prática um meio para captar informações e, assim,
desenvolver pesquisas em benefício da reabilitação e do bem-estar de
pacientes com dores crônicas.
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(Texto: Denise
Yamashita/NB Fotos: Luiz Fernando Pelegrini/RH Fotografias)Se o dinamômetro isocinético pode trazer dúvidas sobre o que ele é exatamente, o benefício que ele traz para pacientes em recuperação de lesões é bastante relevante. A ampla divulgação do potencial do aparelho nos últimos anos deve-se ao trabalho desenvolvido pelo médico fisiatra Gilson Tanaka Shinzato, 38. Desde 1992, ele já deu inúmeras palestras e aulas pelo Brasil, além de demonstrações de isocinética no Hospital das Clínicas para estagiários, médicos, fisioterapeutas e educadores físicos, sendo o maior divulgador da metodologia, muitas vezes confundido como o introdutor da isocinética no País. O primeiro dinamômetro isocinético foi trazido dos Estados Unidos pela também fisiatra Linamara Batistella, do Hospital das Clínicas, no início dos anos 90. De acordo com pesquisas realizadas no Hospital das Clínicas, o aparelho mostrou-se bastante útil na reabilitação dos pacientes, pois acelera o ganho de força. Ele se adapta à força do paciente, e leva-o à obtenção de força com mais rapidez, segurança e de modo preciso. Gilson Tanaka Shinzato formou-se pela Universidade de São Paulo (USP) em 1988, onde também concluiu seu mestrado dez anos depois. Especializou-se em medicina física e reabilitação (fisiatria) depois da residência no Hospital das Clínicas. “No hospital, trabalhei muito com recuperação de pacientes que operaram o joelho. O primeiro grupo que usava o Cybex [uma das marcas do isocinético] foi de pós-cirurgia do joelho no HC. Lá, comecei a desenvolver um trabalho com coluna e tronco, que acabou virando dissertação de mestrado. A gente percebeu que quem tem dor crônica nas costas e segue um tratamento convencional, se não fortalecer os músculos das costas – os extensores –, a dor continua voltando. Nesse estudo, pacientes acabavam o tratamento convencional, faziam o fortalecimento lá e terminavam bem, sem dor”, relata. Atualmente, Shinzato é coordenador do Laboratório de Avaliação musculoesquelética e médico-assistente do Setor de Eletroneuromiografia e Potenciais Evocados, da Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O Hospital das Clínicas é o maior centro de pesquisas e atendimento em isocinética no Brasil. No Hospital do Coração (HCor), é médico fisiatra do grupo de Medicina Esportiva e do Programa de Reabilitação Cardíaca e Pulmonar, além de ser o médico responsável pela Avaliação e Reabilitação em Dinamômetro Isocinético. Anteriormente, teve uma passagem pelo Laboratório de Fisiologia Respiratória e do Exercício em Humanos da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Na Beneficência Portuguesa, é o médico responsável pelo Serviço de Eletroneuromiografia. Sobre a experiência profissional,
conta passagens marcantes para ele. “Eu vou contar uma coisa pessoal. Quando
eu comecei nessa área de reabilitação, os colegas que levaram atletas para o
HC deram muita oportunidade para a gente, esse contato foi muito bom. O
aparelho serve para defender o atleta de lesão, então a gente pode medir e
dizer que ele não está em condição de jogo. Mas me decepcionou perceber que
o que vale no esporte profissional é a pressão talvez do patrocinador, do
técnico, o financeiro, o atleta não quer perder sua posição no time. E isso
passa por cima da orientação médica”, conta. “O paciente que segue mais a
orientação é o que faz esporte recreativo, o que faz esporte por saúde, esse
sim se beneficia mais, faz o tratamento e se recupera bem”, confessa. A paixão desse médico são os esportes; seu impulso, livrar as pessoas do sofrimento das dores crônicas, e sua filosofia de vida, respeitar os sentimentos. “Não consigo ver alguém com dor”, afirma. Nascido em São José dos Campos, é fanático por esportes desde a infância. Seus passos rápidos denunciam seu dinamismo, embora a voz calma faça contraponto. Já praticou natação, judô, atletismo, tênis, caratê, ginástica olímpica, e a lista não acaba. Recentemente, começou a fazer ioga e musculação. “Usar os recursos da fisiologia do próprio corpo às vezes é muito mais poderoso do que usar medicamento ou algo externo. Eu sou um médico que prescreve muito pouco remédio, o mínimo necessário. Recomendo acupuntura, se puder, terapias manuais e exercícios físicos”, afirma. “A minha prática diária, até na área de isocinética, reflete essa minha filosofia de que o exercício é um dos melhores remédios quando bem aplicado. Como todo remédio, tem a dose certa”, completa. A forte ligação com as atividades físicas levou-o a considerar a opção da faculdade de educação física, antes de escolher a atual profissão. Mas a influência paterna pesou e ele escolheu a medicina. Seu pai, Syogi Shinzato, 70, é oftalmologista em São José dos Campos, onde Gilson nasceu. Sua irmã seguiu a especialidade do pai e de alguns tios. “Meu pai tem 11 irmãos, muitos deles médicos. Só de oftalmologistas, são mais três”, conta. Shinzato é casado com uma administradora hospitalar e tem duas filhas, de 5 e 3 anos. “Eu educo minhas filhas assim: eu digo que o mais importante de tudo são as pessoas, os sentimentos e preservar sua saúde, o que Deus lhe deu, corpo e saúde perfeita é o tesouro mais importante que você tem de guardar. Não cuidar disso é que é pecado”, defende. “Isso mais ou menos norteia minha vida como médico e como pai. Para mim, nada justifica, inclusive por motivos financeiros, passar por cima dos valores das pessoas e dos seus sentimentos”, completa. A filha mais velha já fala que quer médica, mas ele acredita que é uma fase. “Ela gosta de tirar a dor das pessoas também; quer ajudar, imita o que faço”. Ela observa o pai nos fins de semana quando, ao ouvir alguma visita reclamar de dor, já se prepara para aplicar uma sessão de shiatsu, acupuntura ou alongamento. “Onde eu estiver, se eu vir alguém com dor e puder – às vezes não dá tempo –, vou tentar tirar a dor”. Solícito, condizente com seu perfil, o fisiatra concedeu esta entrevista ao NB no começo da noite, ao final de um dia de trabalho. |
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Entrevista
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NB: Quais benefícios a
isocinética já trouxe?GTS: Apesar de parecer um exame mais restrito, não tão conhecido, é grande a pesquisa que ela movimenta. O exemplo do setor do HC e as palestras motivaram outras universidades e centros de reabilitação a adquirirem o equipamento. Ninguém reabilitou tantos pacientes quanto o nosso setor do HC, e até hoje o fluxo de pacientes é muito grande. Nosso aparelho é o que mais tem utilização prática para recuperar as pessoas e isso reflete em dados e pesquisas. Eu falo sempre isso. Nem todo mundo pode ter um isocinético, mas a experiência que vimos e divulgamos, de que é necessário fortalecer determinados músculos nas lesões, todo mundo pode usufruir. NB: A
isocinética está crescendo no Brasil? NB: O Brasil
tem condições de se tornar um centro de excelência na área de reabilitação?
NB: O sr.
fala muito na valorização do paciente e seus sentimentos, mas não é isso o
que se vê hoje. NB: A origem
da dor pode ter um fundo emocional? NB: O
estresse das grandes cidades piora a dor? NB: Existe
alguma novidade surgindo agora? NB: Qual a
recomendação para evitar a dor? |